passado



Pedaços de uma vida repousam no silêncio de palavras mudas.
Pequenos pedaços de felicidade espalhados ao vento num dia de verão em que o sol aquece as memórias de uma vida incompleta.
No nosso silêncio captam-se os sentimentos que ambos gritamos pelas nossas almas.

Os teus olhos transbordam palavras que não queres exprimir ...

Ambos sabemos que depois de sairmos do calor que nos une não podemos mais voltar atrás, as memórias não passam disso mesmo, de actos passados, únicos, irrepetíveis.
A tua mão procura o calor da minha face e a esperança da dúvida.
Uma lágrima cai quebrando o calor da proximidade que criaste.
Emanas por todo o teu corpo o amor que tens para dar, amor que não sei manter.

Estas " distâncias " que nos separam tornam-nos simples passageiros nesta vida efémera.
Entramos num comboio que não queremos apanhar, numa viagem que não é a nossa e que nos leva em direcções opostas.

Nas minhas memórias consigo ainda sentir o teu cheiro que se entranha na minha pele intoxicando o sangue que nas veias me corre até ao coração.
Mas não passam de memórias, tu continuas ali e eu aqui, à chuva numa estação esperando que chegues no próximo comboio.

Mas tu não vens.

Ficarei aqui, à espera, no silêncio.